Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

(O acorde deve ser dedilhado. Cada nota puramente sentida.)


Mi
Sol

A minha escala perfeita em suas mãos.
Sem sustenidos, bemóis, ou dobrados de incompreensão.
O Lá que afina a minha vida é tocado em seus lábios
quando canta pra mim...

Dó.

Lá Mi Dó Ré.

Dói.

Shii
05/11/2008
Nota do eu-lírico: A escala de dó maior é a única perfeita, sem alterações como sustenidos, bemóis, em sua constituição infantil. Dobrados são, vamos dizer, dois sustenidos, uma múltipla incompreensão.
O lá é comumente usado para afinar os instrumentos.
Dó Mi Sol é a tríade maior de Dó.

Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

Esse abraço forte,
que circunda o corpo nas curvas delicadas
da menina.
Isso é de um amar que não tem mais fim.

Existe uma batalha calada,
armas em punho, violenta.
Existe uma corrente que circunda
o cabelo, o pescoço, as curvas...

É como um intenso rio que corre das montanhas ao vale.
Os dedos e lábios
sôfregos
ofegantes
percorrem sua via sacra.

Eles querem Gomorra,
mas derretem em suspiros e gemidos.
Entre palavras de carinho,
a velocidade do rio se torna lenta, suave
e toca o corpo dela como brisa.

Isso é de um sonhar que não tem mais fim.

Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Totalmente sem nexo (aviso)

Maria bonita, que não era bonita, corria.


Maria bonita, que só andava direito em uma perna, sentia as paredes ao seu lado se fechando, tudo ficando mais preto.


Maria bonita, que tinha o cabelo crespo, não sabia se estava suando ou se estava chovendo.


Maria bonita, que não era mais tão feia, viu uma porta, abriu e sorriu.


Era um precipício e caiu.


Maria bonita, que não era Maria, acordou de manhã e tomou seu café. Pão queijo presunto leite café. Saiu sem dar satisfação.


Maria bonita, que não tem mãe, é que é feliz. Escolhe se vai a escola, se vai a padaria, se namora ou não.


Maria bonita que desistiu da vida, caiu do precipício e acordou de um sonho, atravessou o cruzamento.


Maria sem amor. Maria sem paixão.


Do outro lado da rua, um homem bonito.


Maria parou. Seu coração também.


Passou um carro.


Morreu quem não se chamava Maria, nem era bonita.


Morreu uma crônica sem poesia.


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hahahahahahahaha... eu achei engraçado. Ás vezes acho que meu senso de humor é BEM estranho... ahdusdhsaudsahduahsudhsaudhs



Shii
12/09/08

Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

À deriva.

Esta dor que me alucina o peito,
arranha as cordas vocais,
queima a palma das mãos.

Este desassossego que late em meus olhos,
perfura o meu espírito,
corta as minhas asas.

Esta faca, que tem dois gumes,
que afaga e me machuca,
que é bálsamo e desespero.

Este carinho torto, mal-amado.
Essa distância tola e absurda entre
liberdade e uma porta com cadeados.

Esse vento que sopra me convida a navegar. Para onde? Em que direção? Onde está o meu leme, que em algum momento se perdeu de mim? Por que está fechada a porta do meu convés?

Esse tempo absurdo e obsoleto,
que bagunça a minha bússola,
que segura a minha âncora.

Esta falta de coragem, perdida no chão.
Esse piso, manchado de sangue,
minha unha, minhas mãos.

Aquele sorriso torto, a que lugar me leva?
Aquela desculpa singela de proteção,
em que mar me segura?

E este barco...
para onde navega?

Shii
05/09/2008

Domingo, 13 de Julho de 2008

Life.

Perseguir um sonho não é um caminho tão fácil quanto é pintado nos livros de auto-ajuda. Exige planejamento, organização, coragem, além de toda a força de uma vontade. Às vezes, porém, não depende da gente. Realizar um sonho se torna cruel quando é necessária a aprovação de outras mãos que não a do nosso destino, que não as nossas.

Dizem que, se é real não pode ser sonho. Mas, se tornar realidade é a parte mais emocionante de um sonho, o que é uma história sem o seu clímax? É o mesmo que um amor sem a entrega, um beijo sem a língua, a espera de uma pessoa que nunca vai chegar.

Desistir de um sonho é estar em um campo de batalha, com as armas, mas olhar os inimigos e temê-los a tal ponto que qualquer resistência e fuga parece impossível. É olhar nos olhos de seu amigo e não saber o que fazer para agradá-lo, sendo aquele a sua própria vida. É perder o rumo, o controle de um caminho onde existiam flores e começam a crescer ervas daninhas. É entregar-se a um leão, que nem cogita a idéia de comê-lo.

Por que sofrer por não fazer, se tentar é muito melhor? Por mais que todo desejo leva embutido a sua parcela de esforço, assim também todo caminho valerá a pena. A travessia importa porque leva na medida certa a combinação do amargo de sempre partir e o doce de sempre chegar.

Se sonhar é se iludir, criemos um mundo de ilusões.

Se sonhar é se enganar, morramos enganados.

(Sonhar não é utopia.)

Se sonhar não fosse bom, os bebês não sorririam enquanto dormem.

Não existem falsos sonhos, existem apenas falsas vontades.

É crime dissuadir um sonho. É crime matar a esperança. É crime a falta de liberdade de expressão.

É pecado não amar.

É pecado, assim, não sonhar.

Sonhe.

Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

Unfinished...

Às vezes, quando você está numa jornada muito difícil você se esquece da felicidade.
Pecado, lembre-se sempre!

Nas horas mais difíceis, as mãos, inúmeras, pequenas, suaves e delicadas, pretas ou brancas, peludas ou lisas, estarão ali para levantar você.

A auto-ajuda torna-se piedade em livros melosos. O que vale são os cigarros, os abraços sufocados, os soluços desesperados, a falta de coragem e um sorriso bobo.

Depois que a tempestade da vida passa, o chão molhado, desfigurado olha para nós perguntando se aprendemos alguma coisa com nossas feridas, nossa covardia e coragem. Indagando se aquele grito reprimido na garganta vai sair, lutando pela liberdade ou se a voz do peito ardido se calará para sempre.

A voz do meu peito se calou. A chama nos meus olhos se apagou.

Entretanto, meu amigo, apenas por um momento. Os braços me chutaram aparentemente, mas os pés me acariciaram por baixo dos panos. Os olhares me deram raiva, a pena me fez crescer e os risos me fizeram permanecer no caminho. Após o sufoco, toda calmaria é bem vinda. A gente nunca aprende depois, mas na hora, no ato, sem mais nem menos. A gente só cresce quando dá uma porrada na madeira e impõe a mão que não doa.

A gente só se perdoa quando erra, se fere ou se destrói. E, mãe, eu não tenho porque me perdoar. Amigos, eu não tenho porque me julgar.

Pessoas, eu estou vivendo, estou sendo feliz. E eu devo o meu muito obrigado às minhas lágrimas, ao meu aperto no peito, à minha coragem.

Eu devo meu barco, bem construído e que suportou os mares revoltosos, aos meus amigos.

Eu devo, sobretudo, boas histórias e muitos risos.

A tempestade não passou, mas meu ventilador está ligado, pois no meu quarto, ela não entrará mais.

A amizade é aquele tipo de cachorro que lambe, morde, sorri, chora, mas não sai da sua porta. Nem que você esteja dormindo.

Uma ode aos bons, e sinceros, momentos da vida.

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O post pelo aniversário do maravilhoso Filipe Couto ainda não foi feito e isso é uma vergonha!
Motivos de força maior, como sempre. O texto das palavras denotativas se perdeu na minha gaveta de textos e vou procurá-lo por esses dias...

Mesmo assim, fica-se registrado aqui que dia 22 de Maio, Filipe Couto fez aniversário e ele é, para mim, um poeta maravilhoso que falou uma coisa que bateu fundo no meu peito sobre meus textos. Alguém que nunca vou (e nem quero) esquecer.

Filipe, parabéns infinitos, milhões de beijos!
E uma rápida recuperação!

Domingo, 4 de Maio de 2008

For No One

Esses dias eu me senti horrivelmente aprisionada na minha capacidade de fazer absolutamente nada. O mundo, em sua órbita gigante, parece girar sem ao menos se importar com as notícias caóticas dos jornais. Nada sensacionalista, na verdade estou sendo até muito racional.

Pessoas estão sendo arremessadas das janelas por terceiros, pais estão estuprando e guardando filhas em gaiolas dentro de casa, crianças são espancadas pela própria espécie por seguir um estilo. Isso tudo é muita ignorância, anexada a burrice, estupidez e falta de humanidade. Não sei se vou defender bem o meu argumento, mas vá lá.

Não ponha um filho no mundo se você não terá condição de criá-lo e nunca bata em alguém sem antes pensar o que a pessoa que mais a ama sentiria se nunca mais pudesse tocá-la. Isso é senso de juízo, rapaziada. Nem existe mais justiça ou razão, cara, existe humanidade.

Deixamos de ser homens para sermos puros animais e esquecemos que nossa liberdade termina quando a do outro começa, que passamos por cima de tudo para simplesmente sermos um nós egoísta.

Woodstock? Guerra do Iraque? Pelo amor de Deus, vivemos em uma guerra civil calada entre facções que nem sabemos ao certo quem comanda. Ideologias? Que ideologias? Que justiça? Que política? Que juventude? Que força de vontade?

Se ajudar ONG’s resolvesse, elas não estariam ricas e o mundo tão pobre. Se ter responsabilidade por uma criança fosse fácil, não existiria trabalho infantil, carros amassados em postes e tudo o mais. Acho que o mundo precisa parar e botar a mão na cabeça para pensar o que está fazendo do seu próprio caminho. Além de se destruir, está acabando com tudo a sua volta.

O mundo está ficando louco? Não, Fabiana. O mundo está ficando sem homens.

E, como eu não sei mais como lutar contra isso, pego meu navio...

... e me encontrem em marte.

Strawberry fields forever.

"Living is easy with eyes closed
Misunderstanding all you see
It´s getting hard to be someone
But it all works out
It doesn't matter much to me”


Edit básico para dizer algo que lembrei com o comentário da Hun-hun!
Já dizia o profeta: "gentileza gera gentileza"